Comparativo - BMW Série 5 Touring vs Audi A6 Avant 2.0 TDI vs Mercedes E Station 250 CDI

Na sua mais democrática versão a gasóleo, a 2,0 litros de 184 cv, a BMW Série 5Touring encontra-se na linha de fogo das rivais Audi A6 Avant 2.0 TDI e Mercedes E Station 250 CDI. Status, qualidade e competência dinâmica são algumas características comuns a estas três carrinhas germânicas, que vivem num autêntico “estado de guerra”
Depois da berlina, a carrinha. A Série 5 da BMW está de boa saúde, e recomenda-se. Das treze versões que compõem a oferta da Touring, a mais acessível dá pelo nome de 520d, que é, simultaneamente, a variante Diesel mais baixa da gama, sendo, aliás, a única com motor de quatro cilindros.
Porém, por dispor de caixa automática, a unidade presente neste comparativo custa mais 2800 euros do que a homóloga versão com caixa manual. O importador achou por bem optar por esta configuração. Talvez porque a berlina 520d que nos havia sido cedido uns meses antes ter caixa manual...
Para avaliar aquilo que vale a nova Série 5 Touring, nada melhor do que confrontá-la com as suas principais rivais: A6 Avant e E Station. No caso da carrinha Audi, que se encontra já em final de carreira (antes do final deste ano será revelada a nova geração do A6), a versão 2.0 TDI com caixa manual entra em cena como que em jeito de despedida, ainda para mais dispondo da especificação Limited Edition, que custa 4000 euros mais do que a 2.0 TDI “normal”. No entanto, esta série especial beneficia de um desconto de 2000 euros que a Audi está a oferecer. O que significa, na prática, que a diferença entre esta super-equipada Limited Edition e a versão “normal” é de apenas 2000 euros.
Quanto à carrinha Mercedes, uma das quatro carroçarias propostas na nova Classe E, dispõe igualmente de um motor Diesel de quatro cilindros, que traz acoplada uma caixa manual de seis velocidades (em alternativa, é proposta uma automática de cinco relações). Contudo, surge aqui representada na versão 250 CDI, devido à impossibilidade de nos ter sido cedida a versão 220 CDI para este comparativo, esta sim, a verdadeira concorrente das 520d Touring e A6 Avant 2.0 TDI. Segundo o importador, a versão 250 CDI vende mais do que a mais acessível 220 CDI, o que acaba por ser um argumento mais do que válido para sua presença neste confronto.
ESTÉTICA, CONSTRUÇÃO, SEGURANÇA
Mais moderna, mais vistosa e mais musculada. Assim se define, em traços gerais, a nova Série 5 Touring. Se a frente se assemelha à do Série 5 Gran Turismo, já a traseira está mais elaborada face ao modelo da anterior geração.
O azul “Imperial” metalizado brilhante (1020 euros) resulta bem, tal como as igualmente opcionais jantes de 18” com dez raios em “V” (940 euros). As proporções da carroçaria e as formas dos grupos ópticos conferem-lhe um estilo mais arrojado, contribuindo para um visual que, não sendo propriamente brilhante, agrada à vista.
Já a A6 Avant, que continua elegante, apesar da sua maturidade, destaca-se pela imponente grelha, pelas jantes de 18” com dez raios e pelas inserções cromadas presentes nas barras no tejadilho (que são opcionais na Série 5 Touring), nas molduras dos vidros e nos puxadores das portas. O pacote S line dá um precioso contributo para o visual desportivo.
Quanto à E Station, com arestas mais vincadas, destaca-se pelos faróis dianteiros com dupla óptica quadrada e pelas luzes diurnas LED em forma de “L” invertido. O opcional kit AMG (1815 euros) aumenta-lhe o apelo: jantes de 18” com seis raios duplos; pára-choques desportivos. As inserções cromadas da especificação Avantgarde (barras de tejadilho incluídas) conferem-lhe um toque de classe. O cinzento metalizado “Tenorite” da carroçaria custa 1089 euros.
No que à construção diz respeito, não esperávamos outro resultado que não um empate entre Audi, BMW e Mercedes. Tal deve-se à qualidade muito boa de todos os materiais utilizados, aos acabamentos de grande nível e à montagem isenta de falhas. Nada, pois, desilude a bordo destas três carrinhas germânicas. Nem mesmo o mais pequeno detalhe.
Em matéria de segurança, não existe qualquer dúvida: a mais completa é a Mercedes. Para além de tudo o que têm Audi e BMW, ainda que não disponha da possibilidade de desligar o airbag do acompanhante, a Mercedes adiciona airbags de joelhos e para a zona pélvica do condutor; avisadores visuais da não colocação dos cintos traseiros; sistema Pre- -Safe; sistema de alerta de cansaço para o condutor; assistente de ângulo-morto; e dispositivo de assistência de faixa. Em opção, tal como nas A6 Avant e Série 5 Touring, a E Station disponibiliza alerta de alteração de trajectória, alerta da transposição involuntária de faixa e cruise-control activo.
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A motricidade da A6 Avant 2.0 TDI, sempre que o piso não é perfeito, podia ser melhor, é um facto, mas esta continua a ser uma das melhores carrinhas de tracção à frente que existem actualmente
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O ambiente desportivo e o equipamento extenso são trunfos do habitáculo da Audi. A mala é ampla e funcional
CONFORTO, HABITÁCULO, EQUIPAMENTO
Equipadas com jantes de 18” (de série na Audi; opcionais nas BMW e Mercedes) e suspensões desportivas (no caso da E Station, este acerto mais dinâmico faz parte da especificação Avantgarde, não sendo, por isso, um extra; na Série 5 Touring o opcional controlo electrónico do amortecimento, que dispõe das posições “Comfort”, “Normal”, “Sport” e “Sport+”, marca a diferença; na Audi, este acerto mais firme acarreta também um custo extra), a mais convincente no domínio do conforto é a Mercedes, uma vez que a sua suspensão é a que melhor sabe lidar com os pisos em mau estado de conservação, emitindo, por isso, menos trepidações e menos vibrações.
Embora tenha evoluído face ao modelo da anterior geração, a BMW não consegue igualar a Mercedes. A suspensão não filtra de forma tão satisfatória os desníveis de terreno, acabando por perder um pouco mais a sua compostura.
Mas pior, mesmo, é a Audi, que tem uma suspensão pouco compatível com conforto. À mínima irregularidade, tudo se sente a bordo de forma mais violenta. Quem paga, como sempre, é o corpo. Do condutor, e dos que com ele viajarem.
Sem querermos aprofundar muito a questão do ambiente interior (gostamos mais da A6 Avant neste particular, uma vez que exibe um visual mais desportivo comparativamente às Série 5 Touring e E Station), a supremacia na análise ao habitáculo e mala vai para a Mercedes. Por uma razão muito simples: embora o espaço interior seja muito semelhante ao existente nas Audi e BMW, a capacidade da mala da é categoricamente superior – sendo, aliás, a única que propõe sistema eléctrico de abertura e fecho.
Contudo, a chapeleira mais prática pertence à Série 5 Touring, que dispõe de um sistema de deslizamento automático. Para além disso, a BMW é a única que oferece óculo traseiro com abertura independente. Em arrumação e espaço para cinco adultos, estas propostas equivalem- se.
Analisando as folhas de especificação de produto destas três carrinhas germânicas, rapidamente chegamos à conclusão que, em equipamento proposto de série, a superioridade da A6 Avant sobre E Station e Série 5 Touring é por demais evidente. Embora não tenha indicador da pressão dos pneus, luzes inteligentes, luzes de berma e pedais em alumínio, tal como a Mercedes, que fica em segundo lugar nesta área, a Audi é a única a oferecer, de série, bancos dianteiros com regulação totalmente eléctrica e memória para o condutor; alarme; sistema de navegação; sistema de som de alta fidelidade; controlo por voz; preparação para telemóvel Bluetooth; interface áudio USB; retrovisores rebatíveis electricamete; sensores de estacionamento à frente e atrás; retrovisores exteriores electrocromáticos; e pacote de luzes. Em último lugar surge a BMW, cuja lista proposta de série resume-se praticamente ao essencial – merecia bem melhor!
Ágil, precisa e envolvente, a 520d Touring, aqui representada na variante equipada com caixa automática, destina-se às famílias mais dinâmicas, ou não fosse este o argumento de marketing da BMW



Posto de condução ergonómico e qualidade elevada. Óculo com abertura independente; a chapeleira move-se sozinha.
POSTO DE CONDUÇÃO, COMPORTAMENTO
O compromisso entre a posição do banco, pedais e volante, mais convincente na 520d Touring, permite à BMW levar vantagem sobre Audi e Mercedes no que ao posto de condução diz respeito. Na Série 5 Touring, o condutor não só encontra mais facilmente a sua melhor postura como, sobretudo, vai melhor sentado. Não quer isto dizer que nas A6 Avant e E Station também não vá, mas a ergonomia da BMW tem mais encanto. E não é só na hora da despedida…
Já na Audi, nada merece ser criticado, ao contrário do que acontece na Mercedes. Quanto a nós, existem dois detalhes que já deviam ter sido revistos na E Station. O primeiro, por ser obsoleto (o tradicional travão de estacionamento, que se activa através de um pequeno pedal e liberta-se mediante uma alavanca); o segundo por pecar pela falta de melhor colocação (a haste do cruise-control está demasiado próxima da dos indicadores de mudança de direcção).
Dotada de opcionais pneus Continental ContiSportContact 3e SSR (Runflat), de medida 245/45R18 em ambos os eixos, rápida caixa automática de oito velocidades dotada de patilhas no volante (Steptronic), opcional controlo electrónico do amortecimento (posições “Comfort”, “Normal”, “Sport” e “Sport+”) e direcção mais precisa, a 520d Touring é a carrinha mais apurada e envolvente das três em termos dinâmicos. Nem parece ter 4,9 metros de comprimento ou pesar mais de 1700 kg.
Ágil, precisa e envolvente, é deveras agradável de conduzir e transmite muita confiança. A estabilidade e a motricidade são óptimas. A travagem é diga de elogios. O controlo de estabilidade (DSC) pode ser desactivado em duas fases. Quem disse que as carrinhas não podem ser desportivas?
Quanto à Mercedes, dotada de pneus Pirelli Pzero de medida 245/40R18 na frente e 265/35R18 atrás, agradável caixa manual de seis velocidades, suspensão desportiva (Direct Control), travões potentes e direcção mais suave do que directa, segurança e facilidade são as suas principais características em termos dinâmicos. Eficaz e agradável de conduzir, não oferece, contudo, a envolvência nem o acerto da BMW. O controlo de estabilidade (ESP) pode ser totalmente desactivado.
Atrás das suas congéneres alemãs posiciona- -se a Audi, que não exibe a soupless nem o mesmo grau de envolvência das BMW e Mercedes, sobretudo da primeira. Sendo a única de tracção dianteira, a A6 Avant agrada pelo comando da caixa preciso, pela direcção suficientemente comunicativa e pelos travões competentes. Contudo, a motricidade ressente-se do facto de a suspensão ser muito sensível às irregularidades da estrada. Os pneus Continental SportContact 2, de medida 245/40R18, ajudam imenso. O ESP também pode ser desactivado, ainda que apenas na parte da tracção.
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Equipadas com jantes de 18” (propostas, de série, na A6 Avant, e disponíveis, em opção, nas Série 5 Touring e E Station), Audi, BMW e Mercedes recorrem aos préstimos de motores Diesel de quatro cilindros |

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O visual pode ser mais clássico, mas a segurança e a qualidade falam por si. Já a mala é a maior das três
PERFORMANCES E CONSUMOS
Animadas por motores Diesel common-rail de quatro cilindros com potências que se aproximam dos 200 cv (o da Mercedes ultrapassa essa fasquia), 520d Touring e E Station 250 CDI são as carrinhas mais performantes das três. Face à A6 Avant 2.0 TDI, que se posiciona em último lugar neste particular, BMW e Mercedes oferecem melhores acelerações e recuperações menos lentas, o que não deixa de ser curioso, uma vez que, olhando para as potências e binários de ambas, seria de prever uma superioridade da Mercedes sobre a BMW.
Mas tal não se verifica. Por isso, o resultado mais justo é um empate entre ambas, com a Audi a posicionar-se um degrau abaixo das suas adversárias. Convém referir, antes que seja tarde, que as recuperações medidas na 520d Touring não tem uma relação directa com as das Mercedes e Audi, visto que foram efectuadas com a alavanca da caixa na posição “D”, visto tratar-se da variante automática.
No que concerne aos consumos, as médias ponderadas por nós registadas ditaram nova igualdade pontual entre BMW, Mercedes e Audi, perfeitamente justificada pela proximidade dos valores em questão: 6,9 l/100 km na 520d Touring; 7,5 l/100 km na E Station 250 CDI; 7,6 l/100 na A6 Avant 2.0 TDI.
Equipadas com jantes de 18” (propostas, de série, na A6 Avant, e disponíveis, em opção, nas Série 5 Touring e E Station), Audi, BMW e Mercedes recorrem aos préstimos de motores Diesel de quatro cilindros
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CONCLUSÃO
Por dois pontos de vantagem sobre a 520d Touring e três pontos sobre a A6 Avant 2.0 TDI, a E Station 250 CDI vence este comparativo. Antes de mais, tratam-se de três carrinhas germânicas de elevado calibre, onde imagem e qualidade falam por si.
Contudo, a Mercedes reuniu mais argumentos do que BMW e Audi, mesmo sendo bem mais cara. Embora o posto de condução não seja tão convincente e a dinâmica não seja tão apurada como na 520d Touring, a E Station 250 CDI oferece um nível de segurança exemplar, maior grau de conforto, uma bagageira mais volumosa e um equipamento de série mais expressivo.
Por seu turno, a A6 Avant 2.0 TDI aposta numa imbatível relação preço/equipamento para fazer a diferença. Contudo, como se pode constatar na tabela de pontuações em anexo, acabou por não ser suficiente. É que, em certos aspectos, REFIRa-se em abono da verdade, a Audi acusa já o peso da idade. Antes de darmos este tema por encerrado, aqui ficam dois apontamentos: se a 520d Touring tivesse caixa manual custaria 54 000 euros; se a E Station fosse a 220 CDI com caixa manual, custaria 57 450 euros…
Fonte: Automotor

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